sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Sem confete

Por aqui, nada de Carnaval. Nenhum comercial novo de cerveja com mulheres gostosas e bronzeadas. Nenhum pop-up com serpentina nos sites de Toronto. Nenhum anúncio no jornal. O assunto do momento é o Dia dos Namorados.

O que é pior? Trabalhar no plantão de Carnaval ou deixar passar em branco o Dia de São Valentin?

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Para ela

Vou dormir agora... seis e meia da manhã! Por um bom motivo, claro. Nada de balada. Nada de insônia. Fiquei batendo papo com uma pessoa que foi e continua sendo muito importante na minha vida. Minha primeira chefinha. Trabalhei no Jornal da Band, TV Bandeirantes, durante dois anos. Produzíamos documentários para o jornal, os quais eram exibidos em cinco capítulos (de segunda a sexta).

Éramos somente duas produtoras. Eu, na verdade, estagiária. Mas na Band, principalmente pela ótima conduta profissional de alguns chefes, o estagiário não era visto como escravisário. Eles apostavam na gente. Acreditavam. Até pagavam pra ver. E assim a coisa acontecia. Acontecia com o mérito de todos. E eu me sentia parte do todo. Porque eles me viam assim. Uma peça fundamental.

Foi com eles que fui enviada para a Argentina em 2000.

Foi com eles que fiz diversas câmeras-escondidas, sendo que uma delas levou um picareta pra prisão.

Foi com eles que descobri o que é ter um chefe experiente que serve de modelo (tiro o chapéu até hoje para o Valdir Zwetch).

Foi com eles que descobri que local de trabalho pode, sim, ser lugar de prazer.

Foi com eles que aprendi que amizade entre chefe e funcionário pode ser uma ótima combinação. Foi com eles que aprendi que não é preciso ser autoritário para ser respeitado.

Foi com eles que recebi a notícia de que minha tia tinha falecido. Foi lá, com eles, que tive os primeiros minutos de apoio após o impacto. Eu, no dia do enterro, depois de passar a noite no velório, fui até lá para fechar um roteiro imenso de um documentário na Bahia antes de ver minha tia pela última vez. E foram eles que me mandaram ir pra casa, sem nenhuma pergunta de quando eu voltaria a trabalhar*.

Mas foi com a Van, com a Vanessa Francisco, que muitas coisas sobre a minha existência tomaram forma. Confesso que sofri muito nesta época - não por motivos profissionais. Fiz das dores dela a minha dor e, junto com a Van, sei que cresci horrores.

É por isso que hoje estou aqui. Às seis da manhã com a janela do msn ainda aberta e com o coração transbordando.

* Mas nem todo emprego é assim. Em outro, sei que lançaram a seguinte frase quando minha vó faleceu: "Será que ela vem trabalhar amanhã? Hummm, acho que sim. Pelo o que eu conheço dela, ela virá". Esses mal me conheciam. E, claro, eu não fui trabalhar.

Aqui no som

Só tinha de ser com você (Tom Jobim/Aloysio de Oliveira)

Amor-rolimã

De Xico Sá

"Só há um tipo de amor que vale a pena: o amor-rolimã, ou amorolimã, amorrolimã, decidam aí a grafia enquanto eu me despradonizo todo na tentativa da boutade perfeita. O amor que deixa os joelhos e os cotovelos à mercê de merthiolate e dor. Calçada de cimento tosco, calçada em areia grossa, calçada em concreto ou em pedrinhas de brilhante para quando o meu amor passar.

Sair de um amor é deixar de brincar de rolimã. Pena que agora não dê mais pra pedir penico às nossas mães – embora o buraco-mor d'alma ainda venha delas. Mas a dor agora também é só nossa, só dividimos com o Édipo ao longe, platônico, meu Deus, perdido na poeira dos gregos e caetés.

O amor rolimã é todo escoriações, sanguinho novo e vivo a escorrer, sangue que desce pela perna, joelho, batata, pé, e lá embaixo escreve o nome da desalmada em garrafais. O amor rolimã é sempre ladeira abaixo, rolamento oleado, viagem vertical, japão da dor.

Desvios nas calçadas, nonada, asfalto quente, cair de boca, beijar como o papa o chão dos estrangeiros d'alma. Perder os dentes ali mesmo, numa manobra orgulhosa, narciso precoce de todas as quedas. Mercúrio cromo, dor mais vermelha, será física ou será daquelas?

Dói aqui, ó, pontada no estômago, como um boxeur que adivinha o golpe, que prescreve a corda e a coreografia do nocaute. Amor de rolimã é que é amor, amor-rolimã dói demais.

Calçada ladeira abaixo, cair de boca, cair de peito, rasgar as vestes e a capa mentirosa do que tiver mais próximo. Faísca nas rodinhas, como golpe de samurai, os rolamentos na pista, o incêndio das horas, a descida mais assassina, sai do meio, lá vai, lá vamos, lá vai, fodeu, até quando?"

Vivi isso uma vez. E viveria tudo de novo. Com dor, escoriações, velocidade. Viveria na mesma intensidade. Mesmo sabendo que a ladeira mais machuca do que cura.

Não resisti

Acabei de chegar em casa e tive de baixar "Cara valente", com a Maria Rita. Ai, que delícia. Fone no ouvido e lembranças. Todos os CDs que eu trouxe do Brasil ficaram no antigo emprego (fechado porque os caras não pagavam o aluguel. Olha o nííível, hehehe). Preciso ir buscá-los, mas o Limewire está me dando uma mãozinha por enquanto.

Essa música vai para Terezilda Cândida e nossa viagem ao Rio. A letra é a cara de um guri carioca-marrudo-valente que fez/faz parte da vida dela.

Re, re, ele não é de nada...

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Pra começar o dia com classe


Ednaaaaaaa! Posted by Hello

... Posted by Hello

Prestem atenção na Coca

Muito bonitinho.

O Iraque no papel

Sempre fui apaixonada por gente. Pessoas, histórias, expressões, energia e aquele brilho (ou a falta dele) nos olhos. Pela vida como um todo. Antes da começar a faculdade, fiz um curso de fotografia na USP e, enquanto pessoas se encantavam com as cores e formas do Teatro Municipal, por exemplo, eu ficava pirando nas pessoas que vagavam pelo Vale do Anhangabaú. Infelizmnete, no papel revelado, nunca consegui captar o que estava ali, a minha frente. Falta de talento mesmo. E de algo a mais.

Ontem fiquei pensando nessa relação do papel com a vida real. Até que ponto o papel fotográfico consegue realmente registrar o momento? Até que ponto uma matéria de jornal consegue te dar o todo da notícia? Até que ponto livros e mais livros sobre a Europa, por exemplo, conseguem substituir uma viagem em si?

A apuração dos votos no Iraque começou hoje (ooops, ontem, terça). E eu, a milhas de lá, passei três horas desta segunda me sentindo em Bagdá. Três iraquianos (dois muito legais e um sem noção), que, geralmente, não aparecem juntos no restaurante, decidiram fazer uma "reuniãozinha" básica depois de terem votado. Vocês conseguem imaginar como é ficar 52 anos sem poder decidir sobre o futuro do seu país?

Há duas semanas, conversando com o Ali Mohammed, um dos clientes iraquianos, fiquei sabendo da explosão de um tanque em Bagdá. Mas não foi uma conversa comum, como acontecia no Brasil: fulano viu na TV ou leu no jornal. Desta vez, a história tinha vida. Ou a perda dela. O irmã do Ali tinha sido uma das vítimas e poderia morrer em dois dias. No mesmo dia em que soube da notícia através de uma irmã que mora nos Estados Unidos, Ali enviou 10 mil dólares para Bagdá para transferir seu irmão para a Jordânia. Motivo? Nem medicamentos podem ser comprados com facilidade no Iraque. Mesmo com dinheiro. Poucas coisas de qualidade chegam até lá. Chorei com ele.

Também não vou entrar no capítulo culpa, fazer túnel do tempo com os últimos acontecimentos, criar uma ótima legenda para a foto abaixo e gastar cinco minutos para escolher um ótimo título. Não tenho pretensões de tornar este post uma análise sobre as eleições, guerra e bombardeios. Por mais informações que possa conter, acho que dificilmente conseguirá substituir a emoção de viver, sentir, saber e ouvir a notícia pela boca de quem realmente está envolvido.

A BBC tem uma página com textos de quem mora no Iraque. Vale a pena dar uma passada e ler o ponto de vista de quem está no olho do furacão. (em inglês)


Ismail, no restaurante, ontem (segunda) à noite Posted by Hello

Groove

No som: Let the music take you. Desde que a ouvi, imaginei uma galera dançando muuuuito. Está pensando numa festinha com os amigos? Recomendo pra quem gosta de soul, hip hop e por aí. Da Keshia Chanté.