terça-feira, dezembro 22, 2009

Cachorro: pode ser a peste, mas dá saudade

Era uma sexta-feira à noite quando ouvi um ronco estranho. Ele estava deitado, bem pequenino, em cima do meu cobertor no sofá da sala. Achei estranho, afinal, quem ronca é gato e não cachorro. Ele tinha doze anos e veio bem pequetito pra casa. No dia, foi a maior festa. Coincidiu com aquelas reuniões de amigos do colégio pra finalizar trabalhos em grupo. Alguns estavam lá no dia e continuaram convivendo com ele ainda muitas vezes nos doze anos seguintes. E continuaram tendo medinho dele durante muitos anos. Sim, porque ele era atacado: pequeno, mas mordia ardido. Latia pra todo mundo. Odiava ficar no colo. Não deixava meu pai se sentar no sofá. E muito menos deitar na cama se tivesse chegado antes do verdadeiro dono da casa. Para a minha mãe, que passou um ano inteiro sem os dois filhos, era a terceira criança. Uma madrugada, duas madrugadas e uma tarde no veterinário. De sexta a domingo, sua saúde piorou muito. Líquido no pulmão. Domingo de dia das Mães. Família durante almoço e a linguinha ficou roxa. Saímos correndo. Teve parada cardíaca. Foi reanimado. Nós vimos tudo. Segurei a máscara de oxigênio. A veterinária foi encostar nele e ele a mordeu. Que bom, acho que ele está bem. Vai ficar esta noite no veterinário. Fui preencher o cheque. Pensei em dar mais um tchau. Fazer mais um carinho. Sirene começou a tocar. Todo mundo correndo com cara de pavor. É o Nick? É o Nick? Não, não, diziam elas. Mas era. Outra parada cardíaca. A última. Era maio. Ele ainda estava quentinho e, pela primeira vez, depois de doze anos, não mordeu ninguém que estava perto.


Last Minutes with ODEN from phos pictures on Vimeo.

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