terça-feira, julho 20, 2004

So nice

Tive de sair do Brasil pra ouvir Bebel Gilberto. Está sendo uma delícia ouvi-la ao dormir e ao acordar. Mas preciso de mais alguns dias para opinar. O risco que se corre estando longe é achar que tudo o que é do Brasil é demais. Daí, você é até capaz de dar um sorriso ao ouvir AMIGOS. Sim, aquela trupe sertaneja. Meleca.

Mais Feliz
(Dé / Bebel Gilberto / Cazuza)

O nosso amor não vai parar de rolar
De seguir e fugir como um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas

O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo

Rimas fáceis, calafrios
Fura o dedo, faz um pacto comigo
Por um segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz

Parabéns Raqs



Linda, linda, linda! Feliz aniversário pra você!

sábado, julho 17, 2004

Sou eu?

Palavras da minha melhor amiga Camila: "Vou te mandar um poema. Já te mandei, não sei se lembra. É você duplamente".

A bailarina agora está dançando
a dança de perder tudo quanto possuía.
Deixar cair tudo o que nela havia,
seus pais e irmãos, pomares e campinas,
o rumor de seus rios, os caminhos,
o conto de seu lar, o próprio rosto,
seus nome e seus brinquedos infantis,
como quem deixa tudo quanto teve
tombar de seio, de regaço e de alma.

Na lâmina do dia e do solstício
baila sorrindo o seu despojamento.
O que atiram seus braços é esse mundo
que ama e detesta, que seduz e mata,
a terra que se apresta a colher sangue,
a noite dos saciados que não dormem
e o mal-estar dos que não tem pousada.

Sem nome, raça ou credo, desnudada
de tudo e de si mesma, ela se entrega
pura e formosa, com seus pés voadores
sacudida como árvore e no centro
do redemoinho, feita testemunho.

Não está dançando o vôo de albatrozes
salpicados de sal e jogos de ondas;
tão pouco os alçamentos e a derrota
dos canaviais com força fustigados;
tão pouco o vento agitador de velas,
nem o sorriso dos mais altos caules.

Não lhe dêem o nome de batismo.
Soltou-se de sua estirpe e sua carne,
sufocou a cantiga de seu sangue
e a balada de sua adolescência.

Sem saber, nossas vidas lhe atiramos
como escarlate veste envenenada;
e baila assim mordida de serpentes
que alacremente e livremente a atingem
e fazem-na cair em estandarte
vencido ou em grinalda espedaçada.

Sonâmbula, mudada no que odeia,
sem saber de si mesma dança, alheia,
seus gestos distribuindo e recolhendo,
portadora de nossos estertores,
cortando os ares que não mais refrescam,
única e torvelinho, vil e isenta.

Ah! Somos nós seu ofegante peito,
sua etérea palidez, o louco grito
lançado para poentes e nascentes,
o violáceo calor de suas veias
o abandono de Deus de sua infância.
                    ("A bailarina", Gabriela Mistral)

Belezura

Preciso de um dia pra mim! Tenho trabalhado duro há quase duas semanas. Restaurante, jornal, site... Nos raros minutos vagos, faco a unha, tiro a sobrancelha, seco o cabelo... Mas quero usar salto alto, pintar as madeixas, comer num japonês e ter 2 mil dólares na conta sem precisar sair de casa. Hehehehe... É pedir demais?












quinta-feira, julho 15, 2004

A arte da sinuca

Depois de vários convites irrecusáveis em São Paulo para uma sinuquinha no Snooker Bar Unissex (sim, e não é um motel. É sinucão méééérmo), descubro há duas semanas um paraíso escondido do lado da minha casa. O bar chama-se Last Temptation e virou nossa segunda morada. Quando digo "nossa" me refiro a quase TODO o pessoal que mora comigo. Além de sinuca a $1, podemos jogar pebolim de graca. "Totó" para os cariocas.

Há dez minutos, eis que surge meu amigo espanhol Nacho na minha porta com a seguinte pergunta: "Vamos dar uma passadinha lá?". Pessoas, a vontade foi grande, mas permaneco aqui, em frente ao computador, tentando escrever meus textos para o jornal brasileiro... Queria ter o poder de ser duas. Se bem que as duas iam querer jogar sinuca do mesmo jeito.

Ps: Teretetê, Raquelina e Anielona, vocês ainda são minhas parceiras prediletas. Hoje e sempre.

segunda-feira, julho 12, 2004

Um pouquinho do passado

É, às vezes, o passado te pega de um jeito que não dá pra escapar, né? Hoje recebi esta foto da Aninha Cibernética.

Saudades do ballet e de todas as horas em que fiquei ensaiando para tentar chegar a perfeicao. Pena que nosso corpo não é uma ciência exata.

quinta-feira, julho 08, 2004

Como antigamente

Recebi uma surpresa nesta semana: uma carta de uma das amigas mais fofas que tenho. A Carolzinha sempre foi a caculinha da turma do colégio. Cacula, precoce e extremamente inteligente. Ficava fazendo bilhetinhos durante as aulas e, sem mais nem menos, soltava uma pergunta brilhante para o professor. Até os velhos ficavam meio intimidados.

Foi a primeira (e única) das amigas do colégio a se casar, a ter seu cantinho e seu maridão 24 horas. O casal foi eleito, por mim e pela Camila, o mais fofo do universo. A maior parte dos nossos Encontros Anuais da Nostalgia Colegial foi feita na casa deles.

Ah, mas já passamos juntos por histórias assustadoras também. Quem esteve lá, viu, comeu e sabe do que estou falando, hehehehe.

Sobre as novidades, nossa geninha acabou de ganhar o primeiro lugar de uma premiacão na XVIII Jornada de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de São Paulo. Mais um motivo para ficarmos enchendo o saco dela durante nossos encontros. Todo jantar ou happy hour acabava do mesmo jeito: eu, Thaíssa, Flavinha, Lú e Camila fezendo consultas de graca com nossa doutora particular.

Pra se ter uma nocão da fofura, a carta chegou num papel de carta legítimo, daqueles que colecionávamos na segunda série. Segue um trechinho pra vocês.

Ps: Carolzinha, deu pra sacar que amei de paixão, né?

"Oi Dã Dã! Os encontros não são mais os mesmos sem você e a Lú! Você ainda lembrava desta forma de comunicacão? Adeus cabos, telas luminosas e teclado. Olá papel de carta, caneta, selos e rascunhos, pois o papel não gosta de ser apagado e reescrito; se vinga deixando um feio borrão.

Mas, para ser sincera, eu adoro a velha maneira com seus papéis decorados e canetas coloridas; lembram a minha infância e adolescência, quando, ao invés de torpedos, enviávamos lindos bilhetes desenhados e até com cheirinho de caneta de 10 cores!"

segunda-feira, julho 05, 2004

Muitas ofertas

Quando me falavam que o verão canadense era um "absurdo cultural", eu não acreditava. Pra quem morava em São Paulo e podia ver, todas as semanas, uma das centenas de pecas, shows e exposicões que a cidade oferece, nada seria tão absurdo. Mas é.

Nem vou entrar no quesito "peca-show-exposicão". O que mais me impressiona é a quantidade de festivais ao ar livre: totalmente de graca e do maior bom gosto. Toda semana tem pelo menos um novo evento do tipo.

Moro numa área conhecida por seus artistas malucos, por sua boemia, brechós (vários), mercearias e barzinhos com cerveja barata. Chama-se Kensington. Em todos os domingos das próximas seis semanas, as ruas estarão fechadas e cheias de atracões.

Ontem, depois de assistir ao esperado jogo Portugal x Grécia, fomos sambar um pouco no bairro português (teve festa mesmo depois da derrota) e, de curiosos e volúveis que somos, fomos comemorar com os gregos no bairro grego, claro. Chegamos ao Kensington às 19h e ficamos dancando até as 23h.

Sabe aquela imagem das pessoas dancando ao luar, livres, rindo, cada um ao seu ritmo, sem se importar se a danca está ou não no compasso? Foi isso o que eu vi ontem. E a música era uma mistura de reggae, com algo tipo polca, não sei. Só sei que as batidas e a sanfona encheram a rua e os corpos de todo mundo. Ah, lembrei! Parecia aquela cena de Matrix, com os tambores e todo mundo dancando na maior energia. Mas sem todo aquele teor sexual...

Segue um "trechinho" de um outro festival que vai rolar por aqui no próximo final de semana!!!

Toronto Street Festival is an outdoor celebration on the world's longest street. For three days enjoy tastes, talent, and all that is Toronto. There will be five sites along Yonge Street, each offering its own distinctive programming mix, from world music at Bloor to family fun at Lawrence.

Enjoy live music featuring roots, jazz, hip hop, world, pop and children's artists. Check out the jugglers, stilt-walkers and buskers on the street corners, and don't miss the spectacular thrill shows. The best part is that it's all free!

Dundas Site:
Home to Friday night's opening ceremonies, this site celebrates the energy of Toronto's vibrant downtown core at Yonge-Dundas Square with street theatre, cirque arts, puppetry and concerts ranging from roots to Celtic to blues.

Bloor Site:
The largest site of the festival celebrates the global experiences, that is the heart and soul of this city, with a diverse array of music, dance, arts, culture and food.

St. Clair Site:
A showcase of Toronto's rich classical arts and cultural-entertainment scene, including a jazz café, dance performances and an open-air symphony on the street.

Eglinton Site:
This uptown festival features an eclectic mix of all Canadian pop-rock, plus aerial acrobatics, thrill shows and a BBQ on the street.

To find a schedule of events happening on each site please click on the link to the right or visit www.toronto.ca

sexta-feira, julho 02, 2004

Olha a lua

Acabo de ler no Orkut uma mensagem enviada ontem:

"Pára tudo e olha a lua agora!!!!!! Acabo de descobrir porque tá todo mundo louco hoje no iogurte!!!!!!!!!!!!!!!"

Duas coisas:
1 - A lua aqui também estava mágica
2 - O iogurte é um vício mesmo. Agora recebemos mensagens instantâneas. Tipo: "você que está aí em casa sem fazer nada, navegando na web às 2h da manhã, abra a janela AGORA! Vamos compartilhar este momento".

Isso me fez lembrar algumas dúvidas tipo "pára tudo" que recebíamos dos leitores do Terra.

"Tenho uma festa hoje à noite, mas não sei se uso sapato abóbora com calca petróleo ou saia barro cru com chapéu de penas. Me responda agora porque estou de saída!"

Como se só ficássemos respondendo dúvidas o dia inteiro... Sim, era o fim da picada. A mulher deve estar esperando até hoje.

Canada Day

Ontem foi feriado aqui. O mais engracado é que ninguém sabia o porquê do Canada Day. Nem os canadenses. Achei tudo isso muito estranho. Não pelo fato de que sejamos experts nos feriados brasileiros, mas estamos falando de, praticamente, um sete de setembro. Bom, fui ao Google:

"On June 20, 1868, a proclamation signed by the Governor General, Lord Monck, called upon all Her Majesty's loving subjects throughout Canada to join in the celebration of the anniversary of the formation of the union of the British North America provinces in a federation under the name of Canada on July 1st.

The July 1 holiday was established by statute in 1879, under the name Dominion Day."


Voltando a 2004, meu dia foi uma loucura. Comprei uma cama nova (Queen size!) e uma cara veio trazê-la aqui em casa... de graca! Desmontei a velha, montei a nova, peguei o metrô e fui até a North York Station. Lá, lá no norte, precisamente uma hora depois de sair de casa, encontrei meu edredon brasileiro, meu roupão brasileiro, minha toalha e remédios brasileiros. E mais Havaianas! Dois pares rosa-choque.

O Andrei, um amigão meu daqui, passou pelo Brasil na última semana e fez a bondade (praticamente caridade) de trazer estas coisinhas pra mim. Ai, devia ter pedido uma lata de Nescau também!!!

Pra fechar o dia, show de fogos de artifício na beira do Lago Ontário. E, pra fechar a noite, cervejinha, comida indiana, pebolim e sinuca no meio da madrugada.